
Pediatra faz alerta sobre trend que circula na internet, incentivando a ingestão excessiva de medicamento
Um novo “desafio” que circula entre crianças e adolescentes nas redes sociais tem preocupado profissionais de saúde: o chamado “desafio do paracetamol”. A proposta é perigosa: incentivar a ingestão de grandes quantidades do medicamento, comum em praticamente todas as casas, para testar “quem aguenta mais”.
Apesar de ser amplamente utilizado para dor e febre, o analgésico pode causar intoxicação grave quando ingerido em doses acima das recomendadas. Em excesso, ele atinge principalmente o fígado e pode levar à falência hepática aguda, uma condição potencialmente fatal.
O que é o “desafio do paracetamol”?
A tendência, que tem aparecido em vídeos curtos e fóruns online, estimula jovens a ingerirem comprimidos de paracetamol em quantidade muito superior à dose segura. Em alguns casos, o “objetivo” seria provar resistência; em outros, gerar engajamento ou chamar atenção. Quem faz o alerta nas redes sociais é o pediatra Daniel Becker, autor do perfil Pediatria Integral e ativista pela infância. “Essa história precisa acordar as famílias para um perigo extremo”, diz ele. Segundo o médico, já são 56 crianças e adolescentes mortos por desafios na internet e este é mais um deles.
O risco é ainda maior porque o medicamento é de fácil acesso, vendido sem retenção de receita e presente na maioria das residências. É preciso reforçar que o paracetamol (também conhecido como acetaminofeno) é seguro quando utilizado corretamente. O perigo está na superdosagem.
Quando ingerido em excesso, o fígado não consegue metabolizar adequadamente a substância. Isso leva à produção de um metabólito tóxico que destrói células hepáticas. O quadro pode evoluir em poucas horas ou dias para:
Um agravante é que, nas primeiras horas, os sintomas podem parecer leves, o que atrasa a busca por socorro.
Para Daniel Becker, o desafio é mais um reflexo de um cenário digital que se tornou perigoso para crianças e adolescentes. "O perigo extremo ao qual as crianças estão expostas na internet de forma geral, está atingindo níveis de insanidade”, pontua. Ele amplia o aviso para o uso das redes e como elas podem oferecer riscos, sobretudo para os pequenos e para os jovens. “São danos à saúde física, mental, a inteligência, a capacidade de aprendizado, ao sono, que é essencial, aos relacionamentos e à inteligência social. São danos aos meninos, viciados em pornografia, jogos online violentos, redes de misoginia e ódio e cyber bullying, naturalizando sadismo e maldades; às meninas, expostas a transtornos alimentares e baixa a autoestima pelas comparações ascendentes com blogueiras mentirosas que vendem seus corpos artificiais para na verdade vender produtos. É a disseminação do ódio, do fascismo, do negacionismo científico e climático, a ansiedade, a depressão, o pânico, e também o suicídio, que estão aumentando muito”, alega.
Segundo ele, os chamados “desafios” não surgem isoladamente, mas fazem parte de um ambiente digital que recompensa o choque, o risco e a exposição. Os adolescentes são atraídos porque, entre outros fatores, buscam pertencimento, sofrem pressão do grupo, e estão sujeitos à impulsividade, que é típica da idade, já que o cérebro ainda está em desenvolvimento. Além disso, por conta da imaturidade, costumam subestimar os riscos. O desejo de viralizar acaba sendo maior. Tudo isso acaba tornando esse público mais vulnerável a comportamentos de risco.
O que os pais precisam fazer?
Diante desse cenário, algumas medidas são fundamentais:
Texto: Canguru News
Crédito de foto: Freepik
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